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março 17, 2016


Primavera

Os teus hábitos de leitura mudam consoante o tempo começa a ficar mais quente?

Este BTT é da semana passada e, de há sete dias para cá, há sempre alterações de temperatura e tempo. Quero dizer... temperatura nem tanto, eu continuo a ter frio todos os dias, mas o tempo está sempre a mudar. Não me parece que a Primavera esteja perto, tendo em conta que já dão chuva para este fim-de-semana. Mas mesmo assim, pelo bem da rubrica, vamos fazer de conta que realmente o tempo de Primavera veio para ficar!

Não, os meus hábitos de leitura não mudam consoante o tempo. A única diferença que pode acontecer é sentar-me numa esplanada a ler, em vez de ser no quentinho do abrigo do café ou qualquer outro sítio. De resto, continuo a ler ao mesmo ritmo, e normalmente no mesmo sítio: no meu sofá, quer seja enrolada numa manta ou a abanar-me com alguma coisa.

E vocês, que mudanças é que a Primavera e o tempo quente trazem às vossas vidas de leitores?

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Um livro é muito mais do que um volume transportável. Um livro é uma mala que levamos connosco quando vamos viajar, pois nele temos tudo o que precisamos. Um livro é mais do que um bem comercializável, é o orgulho de carregar a alma em palavras do seu autor. Um livro é mais do que um livro, ao fim e ao cabo. É o nosso pai e a nossa mãe quando se precisa, nunca esperando mais de nós mas sempre lá para nos dar uma lição. É mais do que um amigo, pois não nos julga, não nos faz perguntas; ouve o nosso interior e responde às questões que nem nós sabíamos que tínhamos cá dentro. Um livro é mais do que um amante, duro como a realidade: umas vezes sonhamos e deleitamo-nos nas suas folhas, outras deixamos dobradas, riscadas, magoadas, outras deixamos a um canto e nunca mais olhamos. Desperta em nós uma panóplia de sensações: o toque da capa, da folha; o cheiro das páginas; o prazer da beleza da capa, das letras. Um livro é mais do que isto tudo, e ainda mais do que isso. Porque com ele viajamos, sonhamos, vivemos, aprendemos, amamos, sentimos, choramos e rimos, tudo sem sair do sítio. E uma façanha destas, vinda de algo tão pequeno e tão frágil, é quase comovente.