Duzentos Anos, de Célia de Sousa - Sinopse & Opinião [Chiado Editora]

julho 22, 2016

Duzentos Anos
Título: Duzentos Anos
Autora: Célia de Sousa
Editora: Chiado Editora
Ano de Publicação: 2016
Número de Páginas: 488

Duzentos Anos. De 1815 a 2015. Passado, presente e futuro. A história, simples, de uma família de ascendência judaica da classe alta. De Jerusalém a Lisboa, passando pela partida em Alexandria, a acostagem em Málaga e a estadia em Luanda e em Paris de alguns dos seus membros.
Uma história contada no feminino, em que o amor conjugal e pelas crianças se revelam primordiais, iniciada com Raquel e o seu marido, Tiago. Um vitral de personalidades fortes – Isabel e Daniel; Catarina e Luís; Alexandra e Hugo; Marta e Diogo… Até aos protagonistas, Sofia e Jaime, a sexta geração, tetranetos de Raquel e Tiago.
A infância e a adolescência, tão felizes, de Sofia, ao lado dos pais, das irmãs – Patrícia e Verónica –, da família, muito numerosa, e dos amigos, em especial Jaime, o seu amor desde tenra idade. Até à violência da morte de Marta e Diogo, seus pais, e da revelação de uma fortaleza, inata, que desconhece.
Fortaleza que é abalada até às suas fundações, certo fim de tarde invernoso… A sua fuga desesperada e o início de uma nova vida, longe da Pátria e de todos quantos ama.
Mas Jaime resignar-se-á a perdê-la? Ou lutará até às últimas consequências para a salvar do abismo da desesperança e do desalento em que sobrevive, quase solitária? Haverá um futuro para eles?

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Este livro já me tinha chamado a atenção há algum tempo, mas receava a sua leitura, por ser algo fora do meu género e diferente do que normalmente leio. No entanto, foi com entusiasmo que o recebi em casa.

A sinopse diz tudo sobre a história, praticamente. Penso que estraga um pouco a emoção da leitura, pois sabemos o que irá acontecer às personagens, levando o fim a ser previsível. O facto de os pais de Sofia morrerem era desnecessário ser revelado, assim como a sua fuga para longe de Portugal... senti que sabia sempre qual o passo seguinte das personagens. Não houve nenhuma reviravolta que me surpreendesse, e isso, simplesmente, devido à demasiada informação dada pela sinopse.
Um dos aspectos que mais me agradou em Duzentos Anos foi a forma como a história é contada - lamento mas não digo qual é, para ver se se mantém alguma surpresa na leitura. Mas gostei da forma como Sofia narra a história, é um conceito que me agrada e que eu raramente encontro. A nível da narrativa... é, digamos, fofinha. É um romance, onde vemos passar grandes histórias de amor através dos tempos, problemas, finais felizes, contratempos... Mas o lado cor-de-rosa está sempre presente.
O que me fez não gostar mais deste livro foi o abuso das descrições. Eu não sou pessoa de me importar com páginas e páginas de descrições, se estas forem bem feitas e pertinentes. Com Duzentos Anos não senti isso - aliás, aborreceu-me mesmo a partir de certo ponto. A descrição constante de cada quarto das crianças... e depois sempre igual, só mudavam os tons e temas! E aquela gente teve vários filhos, portanto imaginem o que é ler o mesmo para cada um deles. O que me leva ao outro ponto que me fez afastar do livro, é precisamente a quantidade de personagens. Para quê tantos filhos, tanta gente, tantos nomes...? Eu compreendo que seja uma família numerosa, mas quando alguém chegava do hospital com um novo bebé, estava uma fila de nomes à sua espera. A uma certa altura já não sabia que crianças pertenciam a quem, mas fui lendo calmamente até chegar ao fim. Infelizmente, com estes dois pontos, o fim da leitura não me trouxe a sensação de um novo livro para acarinhar, antes alívio por ter sobrevivido a tantos detalhes sem importância.

É, de facto, uma pena. Duzentos Anos tem pernas para ser um bom romance, se se tivesse mais em atenção estes pequenos pormenores, na minha opinião. E algumas reviravoltas, algo mais sombrio, também seria bom! Sei que Célia de Sousa tem mais obras publicadas, mas sinceramente receio que o seu estilo de escrita se mantenha descritivo ao ponto de sabermos a cor das paredes de todas as casas.

Sem nenhuma expectativa, foi uma boa história, mas com bastante espaço para ser aperfeiçoada.

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Um livro é muito mais do que um volume transportável. Um livro é uma mala que levamos connosco quando vamos viajar, pois nele temos tudo o que precisamos. Um livro é mais do que um bem comercializável, é o orgulho de carregar a alma em palavras do seu autor. Um livro é mais do que um livro, ao fim e ao cabo. É o nosso pai e a nossa mãe quando se precisa, nunca esperando mais de nós mas sempre lá para nos dar uma lição. É mais do que um amigo, pois não nos julga, não nos faz perguntas; ouve o nosso interior e responde às questões que nem nós sabíamos que tínhamos cá dentro. Um livro é mais do que um amante, duro como a realidade: umas vezes sonhamos e deleitamo-nos nas suas folhas, outras deixamos dobradas, riscadas, magoadas, outras deixamos a um canto e nunca mais olhamos. Desperta em nós uma panóplia de sensações: o toque da capa, da folha; o cheiro das páginas; o prazer da beleza da capa, das letras. Um livro é mais do que isto tudo, e ainda mais do que isso. Porque com ele viajamos, sonhamos, vivemos, aprendemos, amamos, sentimos, choramos e rimos, tudo sem sair do sítio. E uma façanha destas, vinda de algo tão pequeno e tão frágil, é quase comovente.