Está Tudo na Cabeça, de Alastair Campbell - Opinião [Bizâncio]

agosto 26, 2016

Título: Está Tudo na Cabeça
Título Original: All In the Mind
Autor: Alastair Campbell
Editora: Editorial Bizâncio
Ano de Publicação: 2010
Páginas: 352

Terceiro livro de Alastair Campbell que li e, depois do sucesso dos outros dois, estava com expectativas altas para este. Mais uma vez, o autor revelou-se um excelente contador de histórias, capaz de pegar em temas delicados e trazê-los para as suas páginas com a coragem de quem agarra o touro pelos cornos. Confesso que estava com algum receio de ler o livro, pois pensei que à terceira ia ser de vez, que o terceiro livro não me iria agradar tanto, ou não seria tão bom. Superstições tolas.

Está Tudo na Cabeça conta a história de Martin Sturrock, um psiquiatra cujo dever é ajudar os outros - no entanto, é ele próprio que precisa de ajuda, afundando-se no seu mar de problemas. Apesar de não conhecer o dilema por perto, imagino que seja uma sensação terrível de se ter, estar na pele de quem deve ajudar, de quem deve salvar, apenas para ser o próprio a precisar de ajuda e salvação. E é isto que eu queria dizer: eis Alastair Campbell, a olhar o problema bem nos olhos.
Penso que este livro peca apenas pela quantidade de personagens e histórias que engloba. Na minha opinião, as histórias de David e de Ralph bastavam, pois tinham pano para mangas e assim enchiam as páginas. "Encher páginas" foi precisamente o papel que atribui às restantes personagens, pois foi essa a sensação com que fiquei, que apenas existiam para criar volume. Cada uma diferente e com uma história marcante, mas era demais. A mente de David e o vício de Ralph, a par com os problemas de Martin, tinham sido o necessário para criar uma narrativa fantástica e completa. Continua a ser boa, mas tem elementos a mais. O final do livro é algo expectável, mas, com tanto a acontecer, ainda havia esperança de que as coisas tomassem outro rumo. Apesar de triste, é o melhor fim que a história poderia ter, pois torna-a definitivamente mais interessante e memorável.

Como disse anteriormente, Alastair Campbell sabe contar histórias. Não conheço o percurso pessoal e profissional do autor para saber em que se baseiam as suas palavras, mas a verdade é que conseguimos encontrar nelas uma profundidade quase chocante, como se lidar com estes assuntos seja o dia-a-dia do escritor. Seja o que for, funciona - Campbell cria tramas que envolvem o leitor a vários níveis, mantendo-o colado a cada palavra, a cada folha. E este foi o seu primeiro romance!

É sempre um prazer ler os livros de Alastair Campbell. É um livro com 6 anos. Era actual há 20 anos atrás. Será actual daqui a 20 anos. O autor escreve o que é intemporal, e Está Tudo na Cabeça é mais uma prova do seu inegável talento, uma história trágica e memorável, que certamente irá tocar nos demónios pessoais de muitos leitores, de uma forma que só o autor o sabe fazer.

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Um livro é muito mais do que um volume transportável. Um livro é uma mala que levamos connosco quando vamos viajar, pois nele temos tudo o que precisamos. Um livro é mais do que um bem comercializável, é o orgulho de carregar a alma em palavras do seu autor. Um livro é mais do que um livro, ao fim e ao cabo. É o nosso pai e a nossa mãe quando se precisa, nunca esperando mais de nós mas sempre lá para nos dar uma lição. É mais do que um amigo, pois não nos julga, não nos faz perguntas; ouve o nosso interior e responde às questões que nem nós sabíamos que tínhamos cá dentro. Um livro é mais do que um amante, duro como a realidade: umas vezes sonhamos e deleitamo-nos nas suas folhas, outras deixamos dobradas, riscadas, magoadas, outras deixamos a um canto e nunca mais olhamos. Desperta em nós uma panóplia de sensações: o toque da capa, da folha; o cheiro das páginas; o prazer da beleza da capa, das letras. Um livro é mais do que isto tudo, e ainda mais do que isso. Porque com ele viajamos, sonhamos, vivemos, aprendemos, amamos, sentimos, choramos e rimos, tudo sem sair do sítio. E uma façanha destas, vinda de algo tão pequeno e tão frágil, é quase comovente.