As Sombras da Dúvida, de Tom Rob Smith - Sinopse & Opinião [Marcador]

janeiro 02, 2017

As Sombras da Dúvida
Título: As Sombras da Dúvida
Título Original: The Farm
Autor: Tom Rob Smith
Editora: Marcador
Ano de Publicação: 2016
Número de Páginas: 280

Com um telefonema, tudo muda. «A tua mãe não está bem», diz o pai a Daniel. «Tem andado a imaginar coisas. Coisas terríveis… Teve um esgotamento psicótico e foi internada num hospital psiquiátrico.»
Confrontado com esta notícia, Daniel prepara-se para partir apressadamente para a Suécia, no primeiro voo disponível. Contudo, antes de entrar no avião, o pai volta a ligar-lhe, com notícias ainda mais preocupantes: a mãe teve alta do hospital, e ele não sabe onde ela está.
Entretanto, Daniel recebe uma chamada da mãe: «De certeza que o teu pai já falou contigo. Tudo o que esse homem te disse é mentira. Não estou louca. Não preciso de um médico. Preciso da Polícia. Estou prestes a embarcar para Londres. Vai ter comigo.»
Sem saber em quem acreditar ou confiar, Daniel vê-se relutantemente no papel de juiz e júri da sua mãe, quando ela lhe revela uma história angustiante de segredos e mentiras, e de um crime e de uma conspiração terríveis, nos quais o seu próprio pai está envolvido.

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Um livro que prometia uma história brutal e que cumpriu a sua missão com excelência. Que leitura incrível!

As Sombras da Dúvida conta a história de Daniel e de como, de um momento para o outro, se vê no meio de um drama familiar, sem saber de que lado está a verdade. Confrontado com revelações brutais, Daniel não consegue decidir em qual dos pais acreditar, enquanto o seu próprio segredo está ameaçadoramente à tona.
Adorei a forma como a narrativa se desenrola pelas páginas fora. É uma leitura bastante tensa e, ao mesmo tempo, triste. A história que a mãe de Daniel conta traz consigo um tom de tragédia que só acentua mais a situação delicada que dá o mote para a sua fuga da Suécia. Já o pai de Daniel aparece como uma personagem mais bruta e intimidadora, e esta dicotomia faz-nos questionar durante a história toda quem está de facto a mentir. Durante todo o livro fui do lado da mãe, mas não vos vou estragar o final, leiam e descubram quem afinal é o detentor da verdade.
Nunca tinha lido nada de Tom Rob Smith, mas tenho de dizer que fiquei rendida. A forma como escreve deixa o leitor num constante suspense e a precisar de saber o que cada capítulo esconde - e o facto de estes serem tão pequeninos só ajuda à festa. Mesmo as tramas, a forma como se relacionam e depois terminam, umas de forma mais espectacular que outras... Fantástico. Até a nível de personagens, nota-se um trabalho inteligente por trás da sua criação. Um autor a ter em atenção, sem dúvida alguma.
A personagem que mais me marcou foi, sem dúvida, Tilde. A sua postura indica uma psicose de alguma forma, de facto - mas depois tudo o que lhe acontece, como podemos duvidar de si? O autor não deixa pontas soltas e acreditem em mim: algumas revelações são mesmo surpreendentes.
Bónus: as descrições do autor da Suécia rural pintam o cenário perfeito para acompanhar esta leitura tão fantástica!

Parabéns à Marcador pela tradução do título. Apesar de The Farm ser o mais apropriada, As Sombras da Dúvida não lhe fica nada atrás. É isso que sentimos durante toda a leitura - uma dúvida constante, que não nos permite dizer com toda a certeza quem está a falar a verdade.

As Sombras da Dúvida é um excelente livro, uma leitura compulsiva que dificilmente quererão deixar de lado.

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0 comentários

Obrigada por comentares :)

Um livro é muito mais do que um volume transportável. Um livro é uma mala que levamos connosco quando vamos viajar, pois nele temos tudo o que precisamos. Um livro é mais do que um bem comercializável, é o orgulho de carregar a alma em palavras do seu autor. Um livro é mais do que um livro, ao fim e ao cabo. É o nosso pai e a nossa mãe quando se precisa, nunca esperando mais de nós mas sempre lá para nos dar uma lição. É mais do que um amigo, pois não nos julga, não nos faz perguntas; ouve o nosso interior e responde às questões que nem nós sabíamos que tínhamos cá dentro. Um livro é mais do que um amante, duro como a realidade: umas vezes sonhamos e deleitamo-nos nas suas folhas, outras deixamos dobradas, riscadas, magoadas, outras deixamos a um canto e nunca mais olhamos. Desperta em nós uma panóplia de sensações: o toque da capa, da folha; o cheiro das páginas; o prazer da beleza da capa, das letras. Um livro é mais do que isto tudo, e ainda mais do que isso. Porque com ele viajamos, sonhamos, vivemos, aprendemos, amamos, sentimos, choramos e rimos, tudo sem sair do sítio. E uma façanha destas, vinda de algo tão pequeno e tão frágil, é quase comovente.