Os Sussurros dos Druidas, de Marcel Gasparini - Sinopse & Opinião [Chiado Editora]

janeiro 10, 2017

Os Sussurros dos Druidas
Título: Os Sussurros dos Druidas
Autor: Marcel Gasparini
Editora: Chiado Editora
Ano de Publicação: 2016
Número de Páginas: 472

O texto contém várias passagens filosóficas para reflexão, tendo vários questionamentos sobre a nossa jornada e o significado da vida e da morte, sendo inspirado na mitologia nórdica. A história se passa em mundo fictício, com elfos, anões, gigantes, humanos, goblins e druidas etc. Este universo é repleto de magia e de história dos dias antigos, sempre entrelaçada na relação familiar entre pais e filhos, mostrando como o dever, às vezes afasta os membros de uma mesma família. O personagem principal percorre uma longa jornada, passando por várias tavernas amigas e lutando em grandes carnificinas, sendo sempre a liderança sua maior característica. O livro mostra como em meio a uma grande crise, acontece o surgimento de vários líderes importantes, assim como suas dificuldades para alcançar o topo. Mostra como o povo se porta em meio a uma guerra, como alguns se tornam traidores enquanto outros heróis, e principalmente, como a guerra traz lágrimas e união. Uma leitura motivacional e engraçada, contendo pequenos cantos de taverna e romances depressivos e felizes.

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A sinopse deste livro já há bastante tempo que me tinha piscado o olho. No entanto, todos os receios de me aventurar por autores desconhecidos no campo de fantasia impediam-me de começar a sua leitura: iria ser mais do mesmo? Iria ser uma fantasia descabida? Será um desperdício de tempo?

Os Sussurros do Druidas
conta a a história de Haskle, que com a ajuda de seus primos, tem de ir numa missão para devolver a paz no reino. Apesar de ser um mero arquitecto, Haskle viaja com Arkoa, a sua prima druida, Fenror, seu primo guerreiro, e os dois irmãos mais novos destes, Tella e Kriff. É uma história que, apesar de muitas incongruências, torna a leitura compulsiva; mesmo o tamanho do livro não é caso para preocupação pois quando nos apercebemos, já os capítulos ficaram para trás.
Quando falo da incoerência da narrativa, refiro-me ao facto de algumas coisas que deveriam ser mais improváveis e mesmo assim acontecem, só por serem convenientes. Dou-vos um exemplo: Haskle é um arquitecto; no entanto, recebe uma espada de presente embora estivessem em tempo de paz. Isto é apenas um pormenor entre vários que, apesar de não terem muito fundamento, aparecem na história para a levarem a bom porto. Quanto às personagens, Marcel Gasparini conseguiu criar um rol bastante interessante e distinto. Apesar de algumas caírem nos clichés da literatura de fantasia, isso não impede de se notar que existe ali trabalho e preocupação na criação de tantos intervenientes. Gostaria no entanto de ter visto um maior desenvolvimento de Tella e Kriff, até porque a certo ponto praticamente desapareceram da história.
Os meus receios eram infundados por causa da história do livro. Apesar de não primar pela originalidade, é uma leitura que não devem perder. Apesar dos pontos negativos que apontei, algo neste livro o tornou especial para mim, fazendo-me gostar realmente da história.
Tenho no entanto de admitir que, embora com todo o seu potencial, Os Sussurros dos Druidas fica aquém daquilo que poderia ser, o que é uma pena. A forma como está escrito - mal escrito - dificulta um pouco a sua leitura, daí eu a ter arrastado durante tanto tempo. Sugeria ao autor uma re-edição revista, pois a história é interessante demais para ficar perdida por estar mal escrita.

Se gostam de um bom desafio de leitura, então Os Sussurros dos Druidas é uma boa aposta. Se estão dispostos a enfrentar uma leitura difícil e, por vezes, frustrante, a recompensa aguarda-vos, sob a forma de uma jornada épica de família, amizade, coragem e esperança.

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Um livro é muito mais do que um volume transportável. Um livro é uma mala que levamos connosco quando vamos viajar, pois nele temos tudo o que precisamos. Um livro é mais do que um bem comercializável, é o orgulho de carregar a alma em palavras do seu autor. Um livro é mais do que um livro, ao fim e ao cabo. É o nosso pai e a nossa mãe quando se precisa, nunca esperando mais de nós mas sempre lá para nos dar uma lição. É mais do que um amigo, pois não nos julga, não nos faz perguntas; ouve o nosso interior e responde às questões que nem nós sabíamos que tínhamos cá dentro. Um livro é mais do que um amante, duro como a realidade: umas vezes sonhamos e deleitamo-nos nas suas folhas, outras deixamos dobradas, riscadas, magoadas, outras deixamos a um canto e nunca mais olhamos. Desperta em nós uma panóplia de sensações: o toque da capa, da folha; o cheiro das páginas; o prazer da beleza da capa, das letras. Um livro é mais do que isto tudo, e ainda mais do que isso. Porque com ele viajamos, sonhamos, vivemos, aprendemos, amamos, sentimos, choramos e rimos, tudo sem sair do sítio. E uma façanha destas, vinda de algo tão pequeno e tão frágil, é quase comovente.