O Jogo da Morte, de Ursula Poznanski - Sinopse & Opinião

fevereiro 16, 2017

O Jogo da Morte
Título: O Jogo da Morte
Título Original: Erebos
Autora: Ursula Poznanski
Editora: Galera Record
Ano de Publicação: 2013
Número de Páginas: 404

Um misterioso jogo de computador se torna sensação entre os alunos de uma escola londrina. Mas as regras são extremamente rígidas. Cada pessoa tem apenas uma oportunidade e deve jogar sempre sozinha, não comentando com ninguém. Quem viola essas instruções ou deixa de cumprir suas missões é eliminado e não pode iniciar outro jogo. O mais estranho, no entanto, é que as missões são realizadas não no mundo virtual, e sim no real. Ficção e realidade se confundem de maneira intrigante neste thriller, best seller na Alemanha.

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Encontrei este livro ao acaso, enquanto construía a minha lista de leituras para 2017. Um dos desafios fez-me tropeçar neste Erebos (título original) e a premissa era boa demais. Ele estava ali, tão pertinho... comecei a ler devagarinho e quando dei por mim estava completamente imersa na sua leitura.

O Jogo da Morte conta a história de Nick, um adolescente a quem é dado um acesso privilegiado a um jogo de computador que anda a circular misteriosamente de mão em mão. Mas este jogo não é um jogo normal - Erebos quase respira, sabendo todos os movimentos de cada jogador, sabendo os seus mais secretos desejos. Mas, é apenas um jogo, certo? Ou é a vida real? Nick vai descobrir o quão interligado com a realidade Erebos está, e será testado ao limite, com as missões que lhe são atribuídas. Conseguirá Nick chegar ao final do jogo?

Vamos dividir esta leitura por duas partes: enquanto Nick joga e depois de Nick deixar de jogar.

Enquanto Nick jogava, eu absolutamente devorei as páginas. Ao início estava a sentir-me um bocado estranha pois parecia-me que a autora apenas queria contar uma história de fantasia mas não sabia como dar-lhe ambiência então optou por metê-la dentro de um jogo - o facto de a personagem de Nick no jogo pensar e sentir coisas metia-me um pouco de confusão, assim como a sua interacção com outras personagens, de repente estávamos na primeira pessoa mas essa primeira pessoa é uma personagem de um jogo e... onde foi Nick? Percebem a minha confusão? Depois, simplesmente, entranhou-se em mim. Apesar de não ser apologista a 100% de como Poznanski decidiu relatar a narrativa, tudo é esquecido porque simplesmente viciei-me naquelas páginas, assim como Nick com Erebos. E porquê? Porque a autora consegue descrever na perfeição o que é ser completamente viciado num jogo. E eu já estive aí - aliás, penso que já falei superficialmente disso aqui no blogue. Eu joguei World of Warcraft (e só não jogo agora porque 1. é pago e não tenho muito tempo para jogar um jogo que ainda por cima é pago todos os meses e 2. porque sei que se começar a jogar é o fim de todas as minhas outras actividades) e sei o que é isso, de viver para jogar. Eu cheguei a passar folgas inteiras em que acordava, ia para o computador com um pacote de bolachas, passava ali o dia todo e depois ia para a cama. Chegou ao ponto de me esquecer completamente de comparecer a encontros de família porque simplesmente estava a jogar e nem me lembrava que tinha coisas combinadas. Cheguei a fazer ferida no pulso de tanto jogar. E sabem o que é pior? Eu quero isso. Eu simplesmente amo aquele jogo. Portanto, consegui identificar-me com Nick. Sei o que é aquilo, de estar a fazer a vida normal e no entanto o pensamento está 24 horas por dia na nossa personagem. Há muito tempo que não sentia uma ligação tão grande a uma personagem.
Depois, o próprio Erebos, tão enigmático, tão misterioso, tão assustador. O jogo simplesmente sabe o que o jogador está a pensar e sabe os passos do seu dia-a-dia. Mas como? O que esconde Erebos?

Agora, passemos a quando Nick deixou de jogar. O livro morreu para mim. Não, isto não é justo. O livro não morreu, pois temos bastantes desenvolvimentos que nos levam a querer ler mais e descobrir mais, mas a justificação que a autora criou para a omnisciência de Erebos deixou-me realmente zangada e frustrada. Uma história tão fantástica, para sempre manchada por aquele final da treta. O meu namorado estava a ler o livro comigo e quando acabou de o ler, o meu comentário foi apenas "que justificação de mer**, não achas? Que nojo!". Literalmente isto. Foi o quão desapontada eu fiquei com o final deste O Jogo da Morte. Mais que desapontada, fiquei triste. Um livro que me disse tanto no início, para se despedir com uma lembrança tão má.

Tirando o fim, gostei do livro. Nunca tinha lido um livro que andasse à volta de um jogo de computador, mas pelos vistos em algum ponto isso virou moda. Gostei da forma como Ursula Poznanski deu vida a Nick e aos seus colegas da escola, imprimindo-lhes o drama necessário para nos manter sempre agarrados às páginas. Mas, aquele fim...

Aconselho vivamente este livro a todos os leitores que gostem de jogos de computador. Não estou a falar de solitário e pinball, mas jogos mesmo. A parte psicológica de Nick, o vício, estão ilustrados de uma maneira soberba, levando-me a questionar se a autora não sofreu com o mesmo problema. O Jogo da Morte é uma boa aposta - esqueçam apenas o que faz mover Erebos!

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Um livro é muito mais do que um volume transportável. Um livro é uma mala que levamos connosco quando vamos viajar, pois nele temos tudo o que precisamos. Um livro é mais do que um bem comercializável, é o orgulho de carregar a alma em palavras do seu autor. Um livro é mais do que um livro, ao fim e ao cabo. É o nosso pai e a nossa mãe quando se precisa, nunca esperando mais de nós mas sempre lá para nos dar uma lição. É mais do que um amigo, pois não nos julga, não nos faz perguntas; ouve o nosso interior e responde às questões que nem nós sabíamos que tínhamos cá dentro. Um livro é mais do que um amante, duro como a realidade: umas vezes sonhamos e deleitamo-nos nas suas folhas, outras deixamos dobradas, riscadas, magoadas, outras deixamos a um canto e nunca mais olhamos. Desperta em nós uma panóplia de sensações: o toque da capa, da folha; o cheiro das páginas; o prazer da beleza da capa, das letras. Um livro é mais do que isto tudo, e ainda mais do que isso. Porque com ele viajamos, sonhamos, vivemos, aprendemos, amamos, sentimos, choramos e rimos, tudo sem sair do sítio. E uma façanha destas, vinda de algo tão pequeno e tão frágil, é quase comovente.