[Opinião] Simon vs. A Agenda Homo Sapiens, de Becky Albertalli

abril 14, 2018

Simon vs. the Homo Sapiens Agenda
Título: Simon vs. A Agenda Homo Sapiens
Título Original: Simon vs. The Homo Sapiens Agenda
Autora: Becky Albertalli
Editora: Intrínseca
Ano de Publicação: 2016
⭐⭐⭐⭐

Simon tem dezesseis anos e é gay, mas ninguém sabe. Sair ou não do armário é um drama que ele prefere deixar para depois. Tudo muda quando Martin, o bobão da escola, descobre uma troca de e-mails entre Simon e um garoto misterioso que se identifica como Blue e que a cada dia faz o coração de Simon bater mais forte. 
Martin começa a chantageá-lo, e, se Simon não ceder, seu segredo cairá na boca de todos. Pior: sua relação com Blue poderá chegar ao fim, antes mesmo de começar. 
Agora, o adolescente avesso a mudanças precisará encontrar uma forma de sair de sua zona de conforto e dar uma chance à felicidade ao lado do menino mais confuso e encantador que ele já conheceu.
Uma história que trata com naturalidade e bom humor de questões delicadas, explorando a difícil tarefa que é amadurecer e as mudanças e os dilemas pelos quais todos nós, adolescentes ou não, precisamos enfrentar para nos encontrarmos.

****************

Este livro andava em alta há uns meses atrás, toda a gente o lia, toda a gente o adorava, e apesar de me suscitar curiosidade, não tinha muita vontade de ler. Até que com o Read-o-Rama chegou essa oportunidade, para um dos desafios, e pensei porque não?

Simon vs A Agenda Homo Sapiens conta a história de Simon, um rapaz homossexual que ainda não se assumiu e que tem uma paixão platónica por Blue, um desconhecido com quem troca e-mails e que estuda na mesma escola. Até que um dia, por obra do destino os seus e-mails são descobertos por Martin, que vê ali a oportunidade perfeita para chantagear Simon e conseguir uma saída com Abby, e em troca o seu segredo continua escondido. Simon sente-se dividido, pois está a sofrer uma injustiça, mas por outro lado... será que Simon vai ceder?

Eu achei este livro super fofinho. Simon é um bom rapaz, e uma personagem credível, e talvez seja por isso que gostei tanto dele e torci tanto pela sua felicidade. Ao longo da narrativa temos o mistério sobre quem Blue é, e as minhas suspeitas (tive duas) provaram estar erradas. Queria tanto que fosse a mesma pessoa que Simon ao início pensava ser! E mesmo depois de descobrir que não era, queria que Simon lhe tivesse dado uma chance. Gostei bastante do final mas não consigo deixar de suspirar por um final alternativo com a primeira suspeita de Blue.
Tirando o foco principal da história – quem é Blue – todas as histórias secundárias são interessantes e não fiquei com a sensação de que estavam ali só para encher páginas. A história de Alice e Nora, irmãs de Simon, super simples e, no entanto, mesmo no ponto. As histórias de Nick, Abby e Leah (apesar de Leah me irritar às vezes), bem construídas e pertinentes. Até a história de Martin foi bem pensada.
E por falar nas personagens, eu sei que acabei de dizer que Leah me irritou por vezes, mas mesmo assim eu gostei dela. Não houve uma única personagem que estivesse deslocada, que fosse inútil, nada para engordar a histórias; apenas personagens importantes, dentro do contexto e que contribuíram para um enriquecimento maior de uma história tão simples.

Gostei bastante da forma como Becky Albertalli lidou com a saída universal do armário de Simon. Sabemos que a tendência das gerações mais recentes é aceitar, na maior parte dos casos, e a autora lidou com isso de forma excelente. Escreveu com o drama necessário mas também sem fazer disso um bicho de sete cabeças, aterrorizante e confuso. Toda a situação à volta desse anúncio, os papéis de Simon e Martin, as diferentes reacções, foi muito bem criado e penso que pode mesmo ajudar jovens que receiam assumir a sua sexualidade. Cada caso é um caso, mas penso que, regra geral, não há que ter medo. E acho verdadeiramente condenável julgar uma pessoa apenas pela sua orientação sexual.
Pontos para a saída de Simon para o restaurante gay. Adorei essa cena, não só porque foi divertida mas a forma como Becky a escreveu, Simon parecia estar a descrever um sonho, e ele estava feliz. E ele merecia essa felicidade.

Só não fica na minha lista dos favoritos pois Simon vs A Agenda Homo Sapiens não é, de todo, o meu tipo de leitura e embora tenha gostado bastante, não foi a esse ponto - e seria injusto para outros livros. No entanto, recomendo a 100% a todas as pessoas que procuram uma leitura leve e credível, com personagens bem reais e também a quem tenha curiosidade sobre este tema. É garantido que este pequeno livro vos vai deixar com um sorriso na cara 😊

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Um livro é muito mais do que um volume transportável. Um livro é uma mala que levamos connosco quando vamos viajar, pois nele temos tudo o que precisamos. Um livro é mais do que um bem comercializável, é o orgulho de carregar a alma em palavras do seu autor. Um livro é mais do que um livro, ao fim e ao cabo. É o nosso pai e a nossa mãe quando se precisa, nunca esperando mais de nós mas sempre lá para nos dar uma lição. É mais do que um amigo, pois não nos julga, não nos faz perguntas; ouve o nosso interior e responde às questões que nem nós sabíamos que tínhamos cá dentro. Um livro é mais do que um amante, duro como a realidade: umas vezes sonhamos e deleitamo-nos nas suas folhas, outras deixamos dobradas, riscadas, magoadas, outras deixamos a um canto e nunca mais olhamos. Desperta em nós uma panóplia de sensações: o toque da capa, da folha; o cheiro das páginas; o prazer da beleza da capa, das letras. Um livro é mais do que isto tudo, e ainda mais do que isso. Porque com ele viajamos, sonhamos, vivemos, aprendemos, amamos, sentimos, choramos e rimos, tudo sem sair do sítio. E uma façanha destas, vinda de algo tão pequeno e tão frágil, é quase comovente.